quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Goergen, Pedro.Pós-modernidade, ética e educação.-2ª.ed. revista-Campinas, SP: autores associados, 2005.-(Coleção polêmicas do nosso tempo;79)


A educação de modo geral é influenciada pela sociedade em diferentes esferas, sejam elas sociais, históricas, políticas, econômicas, culturais e outras. Nesse meio a relação da ética com a educação é muito forte, onde o eixo central é o homem. Os avanços sociais influenciaram a ação do ser humano, o seu comportamento, os seus valores e sua dignidade enquanto cidadão e com isso muitas coisas se perderam, a ação/intervenção desmedida torna-se um dos problemas centrais da ética e da humanidade.
Para Goergen, (2005, p.01) o homem vive o distanciamento dos princípios éticos antigos, referentes a realidades históricas do passado e a carência de novos sentidos e valores, onde a capacidade da razão humana aliada à técnica parecem não ter limites e o uso correto da razão configura-se como garantia de progresso e bem-estar, elencando a essa modernidade o desenvolvimento tecnológico, como base fundamental para a demanda da sociedade em evolução, o projeto moderno, sintetiza-se pela fé na racionalidade e no progresso, sem dar conta da fragmentação que o ser humano se encontra.

Capítulo I: Da crítica à negação da razão moderna
A busca por mudanças, novos caminhos, novos pricípios requer uma convivência social que norteia de forma democrática e justa. Revendo a concepção do novo ethos, acredita-se que é através da educação que o homem amplia sua relação com o social e o solidário- denominando a relação entre a ética e a educação no contexto pós- moderno, visando as implicações para o campo pedagógico e ético do debate entre modernidade e pós-modernidade.
As influências do movimento epistemológico representado pela política da Revolução Francesa deteve sua base material através da Revolução Industrial com base em ideias, ciência deveria levar o homem a sua emancipação e liberdade. Na concepção de Adorno e Horkheimer os homens querem conhecer a natureza para dominá-la e dominar os prórios homens, adquirindo uma capacidade capaz de obter resultados concretos, surgindo a máquina, a qual subtitui o homem.A superioridade do homem está no saber/conhecer, mas essa racionalidade capaz de conhecer e de transformar já não reconhece mais limites e “não se detém ante a destruição da natureza, da escravização da criatura e da manipulação do próprio ser humano” (p.20)
O novo modelo de racionalidade que se apresenta não leva mais em consideração sistemas de valores morais e estéticos para a tomada de decisões, visto que a racionalidade técnica que se apresenta carrega em si apenas um objetivo “a essência do novo saber que perfaz a superioridade do homem está na técnica.. A racionalidade técnica não é capaz de reconhecer seus próprios limites e “volta-se para o domínio e manipulação da própria vida, inclusive a vida humana” (p.23). O projeto moderno de emancipação e progresso pelo uso correto da razão começa a dar sinais de perigo naquilo que lhe é mais nobre, ou seja, na busca por um ser humano melhor e de uma sociedade mais justa, sendo necessário reorganizar

Capítulo dois: O Novo Contexto: “Pós- moderno”?
Este capítulo relata a compreensão sobre o debate de modernidade/pós-modernidade, bem como as consequências/contribuições para o projeto educativo, ético, político. Conquistar o progresso com o uso adequado da razão, colocando sobre suspeita a ambição política da construção de um ser humano melhor e uma sociedade mais justa um aspecto que o autor considera comum, em geral, entre eles: "Refiro-me à tese do fim da história ou do fim do metarrelato ou, ainda, do projeto de desenvolvimento do homem e da sociedade" (p.25). A crítica mais radical vem de Lyotard, que considera o projeto moderno destruído e liquidado, mas com isso abre-se a possibilidade para a multiplicidade das vozes culturais espalhadas pelo planeta.
O texto concentra-se, entretanto, numa das teses centrais dos pós-modernos, ou seja, a crítica às metanarrativas ou ao fim da história. A preocupação passa a ser com o aclaramento de posições de Habermas sobre a modernidade, que diferenciam suas críticas daquelas apontadas por Lyotard. "Enquanto Habermas segue defendendo (com correções de rota) a racionalidade moderna, Lyotard entende que ela faliu" (p.30). Parece ser este um dos principais empenhos do autor: evidenciar que Habermas "está nitidamente preocupado em salvar a razão do relativismo consciente, relativismo esse que significa, de imediato, abrir mão de qualquer projeto emancipador para a sociedade.
O debate que envolveu e continua chamando a atenção de tantas personalidades importantes do mundo intelectual contemporâneo é que certamente seria apressado declarar o fim da história ou o esgotamento da racionalidade moderna, mas também, que é impossível passar ao longo das importantes e profundas transformações que estão ocorrendo no mundo contemporâneo que, se não configuram um novo paradigma de racionalidade, representam, contudo, interferências no mundo epistêmico das quais ainda nos é impossível imaginar todas as conseqüências. (p.35)
A aproximação cada vez maior ao pensamento de Habermas leva a considerações que, com certeza, não ocorreriam sob a inspiração de Lyotard, como por exemplo: "garantir ao ser humano a possibilidade de interferir e, porque não, orientar os rumos de sua história individual e coletiva", ou "defender a possibilidade da construção de um projeto social que, nascido do real e, portanto, sem recurso à metafísica, seja de corte tradicional ou moderno, arme um projeto para além dele que sirva de telos para a construção de uma sociedade melhor, mais justa, mais humana e feliz" (p.36). A temática, agora, é ético-política, uma vez que se trata de responder "se é possível encontrar princípios intra-subjetivos que sirvam de parâmetro de orientação da ação humana" (p.37).
Capítulo três: Tempos de Pós-modernidade?
No Capítulo III, o pensamento de Jürgen Habermas e de Gilles Lipovetsky, que teriam buscado uma saída para a questão acima. A ênfase está posta inicialmente na apresentação da tentativa de Habermas de superar o paradigma da filosofia da subjetividade e alcançar o da intersubjetividade. "A verdade, em última instância, não se fundamenta na subjetividade, mas na intersubjetividade" (p.40) e isto institui, no campo da ética, a ética do discurso, inserida, por sua vez, na Teoria da ação comunicativa.
A ação comunicativa permite a passagem da subjetividade para a intersubjetividade e, além disso, um relacionamento diferenciado com o mundo objetivo. É também pela ação comunicativa, a forma privilegiada de relacionamento entre as pessoas, que se pode questionar/validar valores ou normas e estabelecer sanções. A ação comunicativa permite explicitar as expectativas das pessoas umas com relação às outras e, a partir disso, fixar normas de comportamento, zelar pela sua manutenção e estabelecer formas de sanção. (p.43)
Habermas elaborou uma teoria social assentada na linguagem, "na interação linguisticamente mediada, uma teoria consensual da verdade e, finalmente, uma nova teoria moral, a ética discursiva" , segundo a qual a norma precisa ser justificada pelo melhor argumento racional e resultante de um processo dialógico-democrático, na pragmática histórica. Assim sintetiza o autor:(...) pode-se dizer que Habermas busca embasar as normas éticas, orientadoras da ação humana, num processo de discurso prático que, preservadas a sua peculiaridade e formas processuais de validação, tem o mesmo status epistêmico do discurso teórico (científico). A norma validada no processo do discurso prático deve permanecer estritamente no chão da história, transcendendo, porém, o particularismo ético, defendido pelos pós-modernos. (p. 42-48)
Para a ética, resta saber em que fundamentar os novos códigos morais. As alternativas apontadas por Habermas e Lipovetsky são bastante distintas, pois o último tem por referência os pós-modernos. Do ponto de vista da educação, tema abordado no quarto capítulo, apresentam-se duas situações: a) a educação da modernidade rompeu com os objetivos de conformar o ser humano com desígnios divinos para tornar-se instrumento de aprimoramento da racionalidade. Com uma alteração epistêmica de tal ordem impuseram-se novos métodos, novos conhecimentos e novas formas de aprender. b) Ocorreu, entretanto, com o desenvolvimento da classe burguesa dominante, a transformação da razão libertadora e emancipadora em instrumento dos seus interesses políticos, de poder, conservadores e opressores. "O ideal da formação do cidadão, homem emancipado e livre, através da razão, transformou-se no 'ideal' do homem submisso à ordem burguesa e aos seus interesses, disposto a aceitar as regras do mercado e a instrumentalização do ser humano a seu serviço" (p.61).
O contexto para a educação, segundo Goergen, está na ambigüidade do contexto atual e no âmbito do debate que travam os defensores da modernidade e os pós-modernos. Se os pós-modernos estiverem fazendo uma leitura adequada da história, que conseqüências deverão advir para a educação? A resposta a esta pergunta é buscada no âmbito da própria ambigüidade anunciada, ou seja: tanto falta fundamento à tese do fim da história dos pós-modernos, como também é palpável o debilitamento da validade dos supostos modernos.
O que, na verdade, parece estar ocorrendo, pelo menos no campo da educação, é a defesa de um discurso (pós-moderno), supostamente fundado numa nova realidade que declara superadas as premissas epistêmicas da modernidade, mas que não perde tempo em conferir se na educação é efetivamente esta a situação que se vive e nem se preocupa com as conseqüências práticas de suas formulações. De fato, embora o cenário educativo esteja se transformando no sentido de estar abrindo mão de um projeto verdadeiramente formativo, não me parece concluir da constatação desta, diria, patologia, o desvanecimento de seus fundamentos racionais. (p.69)
Com esta tomada de posição o autor lança-se, nas páginas seguintes, ao exercício de promover uma interlocução entre modernidade e pós-modernidade, e alguns de seus reflexos na atual crise da educação. É uma interlocução permeada de indagações e com ensaios de reflexão, na qual se pontuam a crise da educação, a crise dos valores e da ética, no seu relacionamento com as condições do capitalismo hoje e também com o pensamento neoliberal. Tudo muito oportuno para os debates travados na atualidade.
Para Goergen, há perspectivas. Alicerçando-se no pensamento de Habermas, explicita a possibilidade de uma forma nova de educação ética das novas gerações, como processo social e com base na razão comunicativa. À educação cabe sensibilizar as novas gerações para o problema da ética como fundamento da vida humana e ajudá-las a formar competências para que possam participar ativamente desse seu processo de formação. Mas esta não é uma tarefa somente da escola e sim de toda a sociedade.
Finalmente, dada a complexidade das transformações epistêmicas, éticas, estéticas e de toda ordem que acontecem nos dias de hoje, "A pergunta que ainda carece de resposta é: como educar hoje?" (p.90).


Pensar na educação
Pensar na educação vai muito além dos referenciais teóricos, dos amparos legais e outros, esses são necessários de certa forma, mas hoje precisamos organizar/pensar em propostas que venham ao encontro do aluno, a maior responsabilidade dos setores que envolvem a educação a nível nacional, pois a educação não se restringe a aprender alguma coisa mecanicamente, ela é um processo de construção e transformação do conhecimento,pode -se chamar de escola, o lugar onde há encontro humano, nesse sentido o ambiente pedagógico tem de ser o lugar de fascinação e inventabilidade. Onde educar seja uma ação efetivamente compartilhada entre as pessoas construindo a participação, a solidariedade e o conhecimento interpessoal.
O ser humano tem seu comportamento alimentado pela aquisição, através da construção e reconstrução do conhecimento, do fazer e do saber que lhe permite transceder. A aquisição ocorre através de maneiras, modos técinicas ouantes de explicar, conhecer, entender, lidar, conviver, com a realidade natural e sócio-cultural no qual o indivíduo está inserido.
As diferenças existentes no meio social com influência do modernismo de certa forma atingiram o espaço escolar, ou é necessário redesenhar políticas, sociais e culturais do modernismos. É necessário entender que o humano e a história se relacionam constantemente, tanto Habermas quanto Lyatard expões esse pensamento.
No entanto, GOERGEM pensa que essas mudanças interferem sim na sociedade, mas não podemos perder de vista a possibilidade/garantia do ser humano em interferir e orientar os rumos de sua história individual e coletiva. Entende-se que o eixo central que embasa o debate entre modernos e pós-modernos é a temática ética-política. Ao reconhecer que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superá-las, assume espaço central no debate acerca da sociedade contemporânea e do papel da escola.
A partir dos referenciais para a construção de sistemas educacionais a organização de escolas passa a ser repensada, implicando uma mudança estrutural e cultural da escola para que todos os alunos tenham suas especificidades atendidas. A aprendizagem precisa estender-se ao longo da vida, como necessidade para gerar a evolução e isso implica numa ávida procura de informação e sua necessária transmutação em conhecimento.

Referência bibliográfica

GOERGEN, Pedro.Pós-modernidade, ética e educação.-2ª.ed. revista-Campinas, SP: autores associados, 2005.-(Coleção polêmicas do nosso tempo;79)

SANFELICE, José Luís. Pós-modernidade,ética e educação.